Morador no Bairro Alto manda factura a Carmona
Um morador no Bairro Alto, fora da zona de acesso condicionado, enviou, no passado dia 7, uma carta ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Carmona Rodrigues, pedindo-lhe que autorize o pagamento de uma factura de táxi referente a uma deslocação de regresso a casa, depois de ter sido obrigado a ir deixar o carro à garagem de familiares, noutro bairro da cidade. Nuno Caiado garante que, no passado dia 4, ao regressar a casa, por volta da meia-noite e meia, andou mais de uma hora às voltas, "em carrossel", à procura de um lugar para estacionar nas ruas do Bairro Alto.

O morador responsabiliza a autarquia pela situação "caótica e selvagem" que se vive na zona e acusa-a de se ter "demitido do seu papel essencial, que é a gestão do espaço público". "O estacionamento não é objecto de ordenamento e fiscalização", diz Nuno Caiado, explicando que, apesar das placas que alertam para o facto de se tratar de uma zona tarifada para não-residentes, o estacionamento é "completamente gratuito". Segundo o morador, a fiscalização da EMEL "desapareceu totalmente do bairro há quatro anos", deixando para trás apenas parquímetros "enferrujados e inúteis".
Também a PSP é acusada de não ter qualquer intervenção dissuasora ou preventiva, nem de exercer funções repressivas.
Nuno Caiado - morador no Bairro Alto há mais de 15 anos - garante que, este ano, já foi a sexta vez que teve de ir deixar o carro na garagem de familiares. E explica que, todos os dias, demora entre 20 a 50 minutos para conseguir arranjar um lugar de estacionamento. Cita, inclusive, o caso de um vizinho que teve de ficar a dormir no carro, estacionado em segunda fila, até às 4 da manhã, para conseguir arranjar lugar.
A Câmara Municipal de Lisboa reconhece a situação descrita pelo morador do Bairro Alto e admite avançar com algumas das sugestões feitas por Nuno Caiado para ajudar a resolver o problema do estacionamento. Ao JN, fonte do pelouro do Trânsito e da Mobilidade disse que está em estudo o alargamento da zona de acesso condicionada e a criação de bolsas de estacionamento só para residentes, duas das medidas propostas pelo morador ao JN.
A mesma fonte admite que, "devido à onda de vandalismo de que foi vítima, há cerca de dois anos, a EMEL deixou de actuar nalgumas zonas, sendo o Bairro Alto uma delas. Contudo, garante que a empresa está a pouco e pouco a voltar para disciplinar o estacionamento na zona.